v=spf1 mx include:secureserver.net -all Meu 5ºaniversário de uma nova vida.

Meu 5ºaniversário de uma nova vida.

April 3, 2018

Há exatos 5 anos, no dia 3 de Abril de 2013, na visita da manhã, enquanto minha esposa estava me visitando, despertei do coma ao qual fui induzido no atendimento emergencial após levar três tiros na cabeça e um no abdômen. Por isto comemoro esta data como meu segundo aniversário, pois eu acordava para uma nova vida, que seria totalmente diferente da que eu tinha vivido até ali.  Eu estava entubado e não podia falar. Querendo me comunicar, fiz gestos para que trouxessem um papel e uma caneta. Eu saboia tudo que tinha me acontecido. Era como se tivesse acabado de acontecer a cena do atentado. O interessante é que eu sabia que estava no Hospital da Unimed (eu havia perguntado para as enfermeiras do hospital dentro do meu coma!)   A minha primeira reação foi bem ao meu estilo: tentei escrever “minha carteira está no carro”, porque lá estava a carteirinha do plano do Bradesco. Eu já acordei preocupado com a conta do hospital!  Então, quando comecei a escrever (estava tão debilitado que escrever meia dúzia de palavras me cansaram imensamente.  Comecei escrevendo um “C, querendo escrever carteira no carro.  A Carol e a enfermeira logo acharam que eu estava querendo escrever Carol, ou casa... Quando finalmente entenderam que eu estava querendo escrever carteira, minha amada esposa Carol deu risada e logo viu que eu estava “bem da cabeça”, mesmo com os três tiros.   Fiquei na UTI por mais uns dias, mas evoluindo rapidamente.

O episódio do atentado nunca, nem por um momento, me trouxe más recordações ou algum tipo de trauma. Sempre levei tudo que me aconteceu com bom humor, fazendo piada da situação.

Na primeira visita que o dr. Julio me fez ele me perguntou como eu estava. De pronto eu lhe respondi “estou meio baleado, mas estou bem”. Ele caiu na risada.  Também lembro de ter falado ao telefone, em inglês, com meu irmão americano, o John.  Ele estava impressionado. Me disse que meu inglês estava até melhor.  Eu dei risada e disse que se tivesse levado mais um tiro, tinha saído falando russo. Este bom humor com a situação começou ainda durante o atentado.  Eu pensei, logo depois do terceiro tiro na cabeça, “ nossa, vou morrer como o John Kennedy! Kkk .  Daí me joguei no chão, num movimento instintivo. Ali, caído no meio da rua, eu pensei “ meu deus! Quanta fisioterapia vou precisar para ficar bom!”  E ainda lembro de ter pensado no número de sessões... umas 350 ou 400!  Enfim, para mim foi muito mais fácil enfrentar este drama. Mas não foi nada fácil para meus pais, minhas filhas, que na época tinham 4 e 7 anos, meus pais e meu irmão, que testemunharam toda aquela cena dantesca. Minha esposa, grávida de 5 meses do João, aguentou firme, e soube administrar muito bem a situação, principalmente com as meninas.  Eu sei que foi um choque enorme para todos eles.  Me coloco no seu lugar e consigo ter uma noção muito superficial do desespero e do medo de perder um pai, um marido, um filho ou um irmão, covardemente atacado .  Se eu estivesse no lugar deles com certeza não teria tanto senso de humor e tranquilidade para falar disso tudo.  Até hoje sinto os sinais deste choque neles. Espero que com o passar dos anos esta ferida se transforme em uma cicatriz indolor para todos nós.

Nossas vidas foram transformadas para sempre. Mas a certeza da Justiça, Onipotência, Onisciência e Perfeição, Inteligência e Bondade em grau supremode nosso Criador, sempre me levou a entender que se Ele não tivesse permitido que eu sofresse este atentado, eu não teria sofrido. Se Ele permitiu, entende-se que, mesmo não entendendo o por quê, foi algo justo. E assim sendo, também entendo que na sua Inteligência e Bondade ele sabia que era a forma mais eficiente e eficaz para minha evolução.

E verdadeiramente sinto que me tornei um ser humano melhor. Se não tivesse sido levado a passar por todas as experiências que começaram quando eu despertei do coma, há cinco anos, certamente seria uma pessoa cheia de imperfeições me achando “normal”.  Hoje consigo ver o quanto eu era orgulhoso, mas me achava humilde. Tive que aprender muito nesta seara. Fico sempre alerta, procurando algum sinal deste mal. O orgulho é algo que normalmente só os outros percebem em nós.  Passei por grandes choques no decorrer destes cinco anos, e descobri em mim muitos outros defeitos, que venho combatendo até hoje. Pois eliminar defeitos normalmente requer mudança de hábitos, o que, só com muito esforço e disciplina conseguimos.

Poderia escrever mais umas vinte páginas só para um pequeno resumo destes cinco anos.  Mas ainda este mês devo lançar o livro que em 171 páginas narra estes cinco anos de superação e aprendizados. O título: “Inesperado”.

Quero registrar, com o devido destaque, minha eterna gratidão aos drs. Robison Siqueira Rosa e Júlio Cesar de Aguiar Jr. Ambos foram os instrumentos dos quais Deus utilizou para que eu sobrevivesse e pudesse ter uma ótima qualidade de vida.

Também preciso destacar a importância da minha esposa, cujo verdadeiro valor eu só descobri depois do atentado. Ela é uma companheira maravilhosa, mãe dedicada, que mesmo grávida soube ser forte, ser doce e ao mesmo tempo firme. Ela foi a pessoa que mais me amparou na terrível noite da depressão. Sem ela eu não teria tido forças para me levantar e enfrentar meus defeitos. Ela é um anjo que Deus colocou como guardiã desta família. É uma pessoa a quem eu devo o mais profundo respeito e agradecimento. Também é muito paciente, porque só eu sei o quanto eu me tornei uma pessoa impulsiva e teimosa. 

Eu tenho tantas pessoas para agradecer, mas vou parar por aqui. Não declino seus nomes aqui, mas eles sabem o quanto lhes sou grato pelo apoio que deram e dão não só a mim, mas à nossa família.

 

Um fraternal abraço!

 

Eduardo.

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